Veneza

Momentos são mais inesquecíveis quando são inesperados.


 

Aquela noite Veneza estava propícia para os enamorados, a lua brilhava alta no céu, as estrelas a rodeavam lindamente, como um belo e infinito colar de pérolas, as nuvens não atrapalharam, fizeram questão de não aparecer e como se não bastasse a iluminação divina havia também o ar mais do que acolhedor formado pelos postes, os barcos e as simpáticas casas da cidade.

 

Em um dos casarões mais antigos, na esquina da avenida mais movimentada, um baile de máscaras estava sendo realizado.

 

Os móveis antigos, finos e elegantes e a decoração toda em majenta, marfim e carmim dava ao local um aspecto um tanto quanto mágico, um tanto quanto nostálgico, contrastando com a música alta e moderna, com as pick-ups e outras aparelhagens de som e as bexigas multicoloridas presas ao teto.

 

O tal baile era um evento famoso na cidade, algumas pessoas esperavam ansiosamente por ele, empresas aproveitavam para introduzirem confraternizações e festas requintadas, assim como datas especiais eram festejadas com certa rotina durante a festa.

 

Esta noite, todos os exemplos eram válidos, a velha casa estava mais atulhada do que o normal e todos os presentes vestiram-se com a mais alta grife, todos de gala e devidamente mascarados.

 

Dentre os ditos presentes, dentre os garçons vestidos de branco, que circulavam pelo salão equilibrando bandejas de prata, com taças de bebidas caras por entre as pessoas, dentre as mulheres e seus vestidos e os homens com seus smokings havia uma jovem mulher, pequena em suas medias e em suas formas, trajando um vestido cor de vinho simples e uma delicada máscara de veludo tentando passar despercebida junto à decoração.

 

E ela estava conseguindo até que um homem, oposto a ela em quase tudo, prostrado do outro lado da pista de dança, notasse o quanto ela parecia destoar do resto da multidão, aquele era um lugar onde as pessoas queriam chamar atenção para si mesmas seja com a dança, seja com a roupa e lá estava ela, recostada à parede, próxima à uma cristaleira, um braço cruzado apoiando o outro braço que segurava uma taça de champagne praticamente cheia, mesmo com a máscara dela o homem de quase dois metros, de ombros largos e porte médio conseguiu notar a expressão ligeiramente tensa que tomava seu rosto, como se ela estivesse rezando para se fundir a parede e sumir dali, os belos cabelos castanhos foram muito bem presos em um coque sério e comportado, que deveria dizer muito sobre sua personalidade, assim ele refletiu.    

 

Ela parecia um lindo e elegante cisne destacando-se no meio dos pavões.

 

Quando ela o viu se aproximar, com as mãos nos bolsos da calça social, fitando-a penetrantemente, sentiu as mãos suarem dentro das longas luvas brancas, os olhos azuis do homem alto, ruivo e forte faziam ela se sentir sufocada, era como se ele pudesse olhar dentro de sua alma. Fingiu não ter notado a distância entre eles diminuindo e focou o olhar em um ponto além das cabeças que se moviam em função da música eletrônica.

 

Até aquele momento ela estava torcendo para que estivesse enganada e ele estivesse vindo, na verdade, em direção a longa mesa de aperitivos que estava ali por perto.Mas, quando ele estava a menos de dez passos dela foi impossível ignorá-lo.

 

Ela engoliu seco e fez de tudo para não gaguejar ao dizer:

 

- Pois não?

 

- Bela festa, não é? - A voz do ruivo era profunda, rouca e tranqüila.

 

- Sim, realmente linda.

 

- Discordo. Se comparada a você, a festa é somente bela.

 

- C-como disse?
 

 - Dance comigo.

 

Ela abriu a boca pintada de carmim e fechou em seguida, momentaneamente sem palavras.

 

- Perdão?

 

- Você é a pessoa mais interessante que encontrei até hoje e eu quero dançar com você - Ele repetiu, dirigindo-lhe um sorriso torto que fez seu coração disparar - Por favor? - Acrescentou erguendo as sobrancelhas ruivíssimas.

 

- Sou...Interessante? - Ela repetiu, incrédula.

 

- O bastante pra me fazer atravessar o salão e vir até aqui, implorar por sua atenção - Ele avançou três passos - Dance comigo, sim?

 

- Não sei dançar.

 

O olhar que ele dirigiu a ela, fitando-a dos pés a cabeça fez seu corpo tremer sob o tecido fino do vestido.

 

- Certamente que sabe.

 

- Não sou de fazê-lo com freqüência.

 

 - Mudaremos isso hoje.

 

- Já disse que não - Ela respondeu com firmeza, embora suas bochechas estivessem coradas - Porque ainda insiste?

 

O homem sorriu, havia diversão em seu olhar.

 

- Porque no fundo você já aceitou meu pedido - Ele respondeu com um quase imperceptível dar de ombros - E você está imaginando nesse exato momento nossos movimentos no meio do salão.

 

De fato, era como se aquele par de orbes azuis pudessem ler seus pensamentos.

 

- Como ousa ser tão petulante, senhor? - Ela depositou sua bebida praticamente intocada a um garçom que passou por eles e cruzou os dois braços - Eu mau o conheço!
 

- Ouça - O homem moveu-se de modo a ficar diante dela, a poucos centímetros, ela sentiu o corpo arrepiar, mas não se esquivou - Se continuar aqui vai acordar amanhã exatamente como acordou hoje, a única diferença é que estará ligeiramente mais cansada, a única coisa que a noite lhe valerá é dor nos pés.

 

- Ah é? - Ela estreitou os olhos, só então ele percebeu como seus olhos cor de mel eram astutos, inteligentes, intensos - E quão diferente será se eu aceitar dançar com você?

 

Ele lhe estendeu a mão grande e ligeiramente sarapintada.

 

- Só há um modo de descobrir.

 

Ela não conseguia acreditar em si mesma, nem na decisão que escolheu tomar.

 

Porque ela escolheu aceitar, escolheu deixar que o estranho de sorriso encantador tomasse sua mão na dele e a guiasse até o salão, a máscara dele, preta como todo o resto de sua roupa, fazia a cor de seus olhos se destacarem e sempre que ela os fitava, sentia perder o prumo por uma quantidade indeterminada de tempo.

 

Como alguém que nunca vira na vida podia lhe convencer, lhe abalar tão rapidamente? Logo ela, uma arquiteta tão renomada?

 

Em contrapartida, ele estava satisfeito com seu êxito. Sentiu-se atraído por ela no momento em que a vira, tão diferente das outras pessoas, tão única e agora tudo o que mais queria era aproveitar a música com ela. Não prestava atenção o suficiente pra ouvir a letra, mas a melodia era dançante, envolvente e instigante.

 

Ele a admirou, seus movimentos começaram tímidos, curtos, porém de uma leveza comovente, ele tentava segurar o sorriso que teimava em despontar em seus lábios e forçava os braços a continuarem longe do corpo dela, pelo menos por enquanto.

 

- Feche os olhos - Ele sussurrou ao pé do ouvido dela e teve que conter o riso ao vê-la tremer ao som de sua voz.

 

- Por quê? - Ela murmurou defensivamente.

 

- Porque é mais fácil de dançar de olhos fechados. Dance pra mim, dance livremente pra mim.

 

Depois de lhe jogar um olhar reflexivo ela obedeceu, pareceu ter concluído que ele não faria nada de inapropriado, embora ele realmente quisesse muito. E, aos poucos, como ele dissera, ela conseguiu se soltar, a música a envolveu por completo.

 

Então ele achou que era hora de dançar também, com calma e pé ante pé ele colocou-se atrás dela e seguiu os movimentos de seu quadril, fechou os olhos e respirou fundo, o corpo dela roçava o seu em um ritmo que fazia sua cabeça girar, ele queria tocar-lhe o corpo, mas teve medo de sua reação, apenas quando sentiu que ela intensificara a dança, aproximando-se dele, colando seu corpo ao dele é que então sentiu-se seguro para apoiar as mãos na cintura fina e curvilínea dela.

 

Decididamente aquele homem estava enlouquecendo-a, ou talvez aquele simples gole de champagne estivesse mais forte do que ela imaginava, não sabia muito bem o motivo, mas sua cabeça estava a mil, pensamentos cada vez menos cobertos de pudores lhe invadiam e todos estavam relacionados com o ruivo às suas costas, ela estava ansiosa para ouvir a voz dele em seu pé do ouvido novamente, seu corpo estava febril, sentia-se trêmula, desejou ficar mais perto dele e de olhos fechados sentiu que ele fizera o que ela queria, novamente, como se pudesse ver o que ela está pensando. Corou ao imaginar o que ele diria se soubesse mesmo o que ela estava pensando.

 

Quando ele segurou sua cintura com as mãos, seu coração subiu até a altura da garganta, ela podia sentir o corpo másculo e viril por baixo da roupa de gala, e a firmeza de seu toque fez ela se sentir mole, fez ela desejar desesperadamente por mais. Por alguns segundos não se importou se estaria sendo observada pelos colegas de profissão ou se estava sendo demasiadamente depravada, tudo o que lhe importava era a respiração forte que vinha dele, sentiu que ele apoiara o rosto na lateral de sua cabeça, abraçando-a, inspirando seu cabelo, reprimiu um sorriso. Seria possível que ele estivesse realmente atraído por ela?

 

Arriscou erguer o braço e segurar-lhe a nuca enquanto movia o corpo sinuosamente, deixando a música lhes impor o ritmo, ele arfou rapidamente e ela sentiu uma rigidez se impor em sua costa, sentiu o rosto queimar, mas não teve pulso para afastar-se dele. Apertou-lhe os cabelos da nuca e sentiu o couro cabeludo sob suas unhas feitas, mesmo usando as luvas.

 

- E você dizendo que não sabia dançar... - Ele comentou, sussurrando em seu ouvido outra vez, abraçando-a com mais força, trazendo-a para mais perto.

 

- E de fato não sei.

 

- Se isso não é dançar, eu não sei o que é.

 

Ela sentiu-se poderosa com os elogios, sentiu-se orgulhosa por conseguir agradar alguém estonteante como ele e resolveu ousar um pouco. Completamente fora de si, foi descendo o corpo aos poucos, sem parar de dançar e depois voltou insinuando-se, roçando seu corpo ao dele, o ouviu segurar a respiração seu coração disparar, assim como o seu estava a galopar como um cavalo selvagem.

 

- Está me levando à loucura aqui, sabia?

 

Ele a segurou pela cintura outra vez e a fez girar nos calcanhares, ficando de frente para ela, puxando-a contra ele, foi a vez dela arfar involuntariamente ao sentir seus corpos se encaixarem, sem deixar de dançar, de se mover, de provocar um ao outro.

 

Ela cruzou as mãos atrás do pescoço dele, teve coragem de abrir os olhos e encontrou os dele lhe encarando, os azuis nublados por desejo explícito. Seu rosto queimou ainda mais.

 

- Bom saber que estou lhe causando o mesmo efeito.

 

- Certamente está me deixando sem ar.

 

Ele passeou as mãos por suas costas, baixou o olhar, que estava em seu rosto, pelo corpo coberto com o vestido tomara-que-caia cor de vinho, parou por um minuto no volume dos seios que o corte do vestido deixava em mais evidência e, por fim, voltou ao rosto cada vez mais corado.

 

- Você é perfeita.

 

- Você é... Perturbadoramente bonito.

 

Um riso frouxo escapou de seu peito, ele segurou o rosto dela com uma mão enquanto a outra deslizava pela lateral de seu corpo, sentiu a pele dela se arrepiar e a tensão em seu próprio corpo se intensificar, estava em chamas por ela e estavam apenas dançando.

 

- Se eu não beijar você agora mesmo vou acabar perdendo a cabeça.

 

Ela não lhe respondeu, apenas umedeceu os lábios carnudos e os mordeu em seguida. Ele engoliu seco.

 

- Eu posso?

 

- Não sei quanto tempo mais conseguirei fingir que não estou esperando por isso - Ela confessou com a voz baixa.

 

Então ele o fez, não sem antes esboçar o sorriso torto que a fez derreter por inteiro.

 

Ele deslizou a mão por sua perna, apertou-a e a puxou para seu corpo, impondo seu desejo contra o dela, fazendo-a gemer baixo dentro de sua boca e apertar a camisa social que ele estava usando. Nunca provara um beijo tão enlouquecedor como este, aliás, nunca conhecera alguém tão enlouquecedoramente bela.

 

Ele fez com que caminhassem de volta à parede onde ela estivera a noite toda e a encostou com certa intensidade, segurando em sua cintura com firmeza, tomando a boca dela com vagar, entrelaçando as línguas, mordiscando e sugando o lábio.

 

Sentiu seu peito sendo empurrado pelas mãos pequeninas dela, abriu os olhos e ela estava tentando afastá-lo. De certo conseguira, a assustara com sua pressa.

 

- Por Deus, não sei nem ao menos o seu nome! Como posso desejá-lo tanto se não sei nem ao menos seu nome! - Ela confessou com perturbação na voz.

 

Ele riu fraco e voltou a segurá-la pelo rosto, dessa vez com as duas mãos.

 

- Como é o seu nome, olhos de mel?

 

- Her... Jane! – ela voltou atrás com pressa – Jane Granger.

 

- Lindo. Assim como você - Ele depositou um selinho em seus lábios avermelhados pelo batom e pelo beijo intenso - O meu é Rony e estou completamente enfeitiçado por você.

 

  Ela engoliu em seco sem conseguir desviar o olhar do azul penetrante dos olhos de Rony.

- Vem comigo - ele disse sem quebrar o olhar que exercia um poder tão grande naquela estranha. E deslizou a mão pela extensão do seu braço, causando um arrepio visível.

 - Pra onde? – ela respondeu alarmada. Tentada e ao mesmo tempo amedrontada.

 

 Ele sorriu de lado, um riso sedutor e misterioso, que apenas acentuou o brilho naqueles olhos vorazes.

 

 - Para o paraíso. – respondeu.

 

 - N-não acho uma boa idéia. – ela respondeu com a voz vacilante.

 

 Ele inclinou um pouco a cabeça, ainda ostentando um sorriso perigoso.

 

 - E o que é uma boa idéia? Continuar aqui, nesta festa sem graça, rodeada por parasitas que lhe sorriem enquanto desejam a sua cabeça pelas suas costas? Não precisa ter medo de mim.

 

 Ela estreitou os olhos, sentindo uma pontada de raiva surgir devido a arrogância daquele homem.

 

 - Não estou com medo.

 

 - Então por que não vem comigo?

 

 - Eu nem lhe conheço.

 

 - Ah sim, você me conhece.

 

 Ele parecia zombar e aquilo a encheu com mais raiva.

 

 - Sei apenas seu nome.

 

 - E assim não é melhor? Sem laços ou compromissos? Assim, envolvem-se apenas as sensações, as emoções e não complicamos tudo com sentimentos vãos.

 

 Ela sentiu uma pontada no peito ao pensar em seu lar. Nos sentimentos que resolvera deixar em casa, para se sentir ao menos uma vez, livre. De certa forma ele tinha razão. Sentimentos só complicavam as coisas.

 

 - Isto é imoral.

 

 - Oh não, não é. Somos adultos. Estamos vivos. Não há nada de imoral em desejar. Foi pra isso que fomos feitos.

 

 Hermione se sentia meio zonza pela proximidade impactante do ruivo a sua frente. Não conseguia pensar com clareza e o tom de voz dele só a deixava ainda mais alterada.

 

- Não se deixe guiar por esta falsa moralidade humana. Não estaríamos quebrando nenhuma lei. Nenhuma regra. Não estaríamos machucando ninguém.

 

Ela não conseguia responder, por que um conflito louco se desenrolava em sua cabeça. A razão que lhe negava com toda força, lhe dizendo que era um absurdo, e o desejo pulsando alucinado, pedindo mais...

 

 Para decidir a questão, Rony se aproximou mais dela, colocando a mão em seu rosto, levantando-o um pouco, forçando-a a encará-lo.

 

 - Eu sei que você também me quer. Vai negar?

 

 Novamente as palavras não vieram. Seria mais sensato negar. Mas não conseguia.

 

 - Seu silencio é um consentimento?

 

 Ele desceu o rosto e roçou os lábios nos dela.

 

 - Sei que está perdida – a voz era só um sussurro – Em algum lugar, aqui dentro – ele tocou sua têmpora. – Perdida nos problemas e fardos da vida, eu posso ver em seus olhos. E sei que está sufocada aqui. – Ele tocou seu coração. – Deixe-me aliviá-la, e faça o mesmo por mim. Deixe-me levá-la para longe desta realidade infernal que vivemos, só uma vez.

 

 Ela fechou os olhos quase sem forças.

 

 “Só uma vez”

 

A voz dele ecoou e se multiplicou em sua cabeça.

 

 Só uma vez sentir-se viva de novo, Só uma vez deixar-se guiar pelos instintos, Só uma vez se permitir decidir por si mesma. Só uma vez....

 

 Ela abriu os olhos e seu coração acelerou. Seu pulso respondeu e a respiração pesou.

 

 - Salve-me.

 

Era uma completa loucura e ela tinha consciência disso. Deu a mão a um estranho e deixou que ele lhe guiasse para um caminho desconhecido.

 

Ela cegou para o mundo ao redor, enquanto ele lhe puxava, passando por entre as pessoas que enchiam aquela comemoração. Rostos que ela devia reconhecer, mas que no momento não passavam de faces desfocadas e desconhecidas.

 

Tudo parecia ter perdido o sentido e a importância e a única coisa que ela conseguia sentir era a ânsia a cada passo dado à frente, e os tremores que as imagens que se desenhavam em sua cabeça causavam.

 

Quando ouviu o barulho de uma porta se fechando as suas costas, Hermione recuperou um pouco da noção de realidade, e constatou estar num quarto. No quarto do iate em que subira há poucos minutos.

 

Apesar de estar totalmente desperta, não tinha nenhuma ciência do caminho tomado até ali. Lembrava-se vagamente do carro. Não do caminho, por que os lábios quentes de Rony, as mãos possessivas e o calor perturbador não a deixaram ter noção de mais nada.

 

Quando a porta da limusine se fechou a dimensão pareceu mudar. Era outro plano, outro mundo. Era como se não houvesse mais ninguém do lado de fora e seu mundo se resumisse ao ruivo ao seu lado.

 

E o beijo foi arrasador. Não foi um beijo qualquer, foi diferente. Aliás, o primeiro também fora diferente, fora um beijo enigmático com gosto de querer mais. Foi um beijo calmo, um beijo de reconhecimento.

 

O segundo foi ainda melhor.
 

 

Foi um beijo de possessão e domínio.
 

Rony segurou-lhe a cabeça, demorando-se por alguns segundos olhando-a nos olhos, chocando o azul dominante contra o chocolate intenso. Parecendo ler sua alma através de suas íris.

 

Sorriu ao vê-la tremer por antecipação, enquanto entreabria os lábios numa permissão muda e só então a beijou.

 

Uniu o lábios aos dela diretamente, pressionando primeiro, emanando ondas de calor que percorreram todo o corpo dela. Hermione se sentiu dominada, subjugada, e totalmente despreparada para o desejo que sentiu.

 

Então ele sugou seu lábio com pouca força, prendeu o lábio inferior entre os dentes sem forçar e sem machucar e o chupou como se fosse uma fruta madura e tenra, enquanto o provava com a língua que deslizava em seu contorno.

 

Ela viu seus movimentos se seguirem automaticamente. A boca abriu mais, pronta pra receber tudo o que o estranho queria lhe dar. As mãos subiram percorrendo seu peito por sobre a lapela do smoking para se encontrarem atrás de sua nuca e ela o puxou pra si, aprofundando o beijo, necessitando de mais contato.

 

Então as línguas se chocaram em cadencias diferentes, pois enquanto ela o saqueava com desespero, um desespero que se refletia na resposta de seu corpo, que tremia e formigava. Ele a provava como se estivesse se alimentando dela. Calma e possessivamente.

 

Foi apenas um beijo. Um beijo que durou um tempo que ela não soube precisar. Nenhum outro toque. Sem caricias, sem procura.

 

Ele não tentou dominá-la. Possuí-la. Não ali. Mesmo que esta estivesse totalmente entregue.

 

Fora apenas o prenuncio da noite que viria.

 

Ela só notou que o carro havia parado por que ele a soltou. Rony foi muito rápido, ao largar seu rosto, e sair do carro rodeando o automóvel. Por um momento ela se sentiu desnorteada com o abandono, em seguida envergonhada por perder a noção tão rapidamente.

 

Ele abriu a porta e estendeu a mão para ela, a mão que ela estendeu tremula e fria, com a bela desculpa do inverno em Veneza, reforçada pela ventania que cortava o Porto Di Venezia naquela noite.

 

Ela se arrepiou pela combinação do frio e do contato. E ele a abraçou, passando os braços por seu ombro, oferecendo seu próprio calor em proteção, e ao mesmo tempo guiando-a para o enorme barco parado à sua frente.

 

- Bem vinda ao Paraíso - Rony sorriu pra ela com as sobrancelhas arqueadas e os braços abertos, mostrando o quarto ao redor.

 

Hermione riu. A cabine do iate era bonita, de fato, com seu forro de madeira escura, seus detalhes em prata, seu requinte e classe, até mesmo a bagunça que estava lá, as roupas jogadas pelo chão e outros objetos espalhados com pouco cuidado davam um certo charme ao lugar, mas mesmo assim ela não achava que merecia ser atribuído nada de divino a ele.
 

- Você é mesmo muito pretensioso, não é mesmo? 

 

- Não sou não - Ele deixou um riso frouxo escapar de seus lábios e tomou a mão dela com as suas - Esse é o nome do barco. Paraíso.

 

Ela corou levemente, Rony soltou uma baixa gargalhada.
 

- Desculpe.


- Não se preocupe com isso - Ele ergueu a mão dela até sua boca e roçou os lábios lentamente em seus dedos, fitando-a sem parar - Não se preocupe com mais nada. 

 

Fora uma ordem, tão leve quanto um pedido.

 

A voz dele reverberou por todo seu corpo, como se ele lhe servisse de condutor.

 

Era só o que ela desejava, esquecer tudo, esquecer o mundo, esquecer dela mesma. Por que se lembrasse teria que enfrentar a consciência. Se lembrasse de si mesma, teria que se lembrar do que deixou para trás quando pegou o avião para Veneza, a fim de participar das festividades de Réveillon da empresa. Teria que se lembrar do que deixou para trás e para o que estava voltando e então se sentiria podre.

 

Olhava aquele estranho e tentava organizar os pensamentos, mas não conseguia. Embora sua razão insistisse em enviar algumas fagulhas ao seu cérebro avisando que ela ainda existia, as reações do corpo eram tão fortes que simplesmente eliminavam qualquer tentativa de reação àquela situação. Estava completamente dominada pelo corpo.

 

Sentia-se devassa, despudorada e perdida. Comparou-se à Sharon Stone em Basic Instincts. Aquela personagem a quem ela tanto criticou o comportamento. Aquela contra quem discursou no debate escolar. O mesmo debate onde ela garantiu que aquele tipo de devassidão jamais a atingiria, pois dominava o próprio corpo.

 

Ela não queria pensar, por que se pensasse teria que lhe dar com o peso de suas próprias palavras e suas próprias certezas arruinadas. Não queria pensar, pois se pensasse teria que sentir o gosto amargo de se sentir pequena e suja. E se deixasse a consciência assumir teria que admitir que a situação pioraria.

 

Pois o homem a sua frente era um completo estranho, então ela jamais poderia usar a velha desculpa da paixão avassaladora ou do amor louco para justificar aquilo. Não haviam sentimentos envolvidos, apenas sensações. Vontades. Vontades que a subjugaram.

 

Hermione Jane Granger. A filha casta de um casal de protestantes rigorosíssimos. Criada sobre a doutrina repressiva de culto as "virtudes" femininas. Adolescente modelo, com convicções inquebráveis. Um verdadeiro desafio para os rapazes de sua idade, a única que não cedia a sedução. Casara-se virgem como mandavam os ensinamentos da igreja e fora fiel ao marido. Seguira a risca cada um dos preceitos de sua religião.

 

E pra onde eles a levaram mesmo?

 

Para aquele inferno...O mesmo inferno que devia ter sido seu céu.

 

Hermione fechou os olhos, querendo espantar as recordações da cabeça. Não queria mesmo pensar. Ali era apenas Hermione. Ou melhor...”Jane”. Sem passado, sem futuro, sem história.

 

Seu corpo clamava o toque das mãos que agora enchiam um cálice de vinho, gritavam pela consumação das promessas que emanavam daqueles olhos azuis e ela cederia.

 

Se não podia encontrar a tal felicidade da qual sua mãe gabava-se tanto, teria para si pelo menos a lembrança de algo seu.

 

- Está nervosa? - ele disse erguendo o delicado cálice para o encontro de sua pequena mão trêmula e sorriu - Não precisa responder. Você está nervosa sim.

 

Ela segurou a taça e levantou o queixo pronta para negar, mas ele a calou pousando o dedo polegar sob seus lábios e acariciando-os com vagar.


 - Está tudo bem, é a primeira vez pra mim também. Foi inevitável para mim também.

 

Ela leu nas entrelinhas que Rony queria dizer que era a primeira vez que estava com uma estranha, mesmo por que, com a maneira como a olhava e a fazia sentir e com a maneira como a beijou no carro, ela nunca acreditaria que ele estaria falando de virgindade.

 

Hermione tomou um gole do vinho, a única bebida alcoólica que degustava com prazer, mas ele pareceu arranhar sua garganta. seu coração estava frenético, tão frenético quando a pulsação, tão forte que ela podia sentir resquícios das batidas nas pontas dos dedos.

 

- Como eu disse antes - Ele tomou-lhe a taça das mãos, pousando-a na primeira superfície solida que encontrara - Esqueça o resto. Esqueça a si mesma.

 

Segurando sua mão, Rony a fez andar até a elevação, onde reinava única, uma cama enorme. Coberta com lençóis de seda brancos. Parecia uma concepção das idéias que rondariam a cabeça de sua mãe. Um ritual, onde o pervertido iludia a pobre virgem indefesa e a violava como uma oferenda.

 

Ela sorriu dos próprios pensamentos. Não era uma virgem indefesa afinal.

 

Ele acariciou seu rosto e baixou-se para encontrar seus lábios. E mais uma vez apagou seus pensamentos prendendo-a num emaranhado confuso de sentimentos.

 

Ela apenas se abandonou aquelas sensações únicas e segurou sua cabeça a fim de aprofundar o beijo.

 

E ele lhe deu o que ela queria. Um jogo de lábios e língua enlouquecedor. Mas era quase uma repetição do que fizeram no carro. Sem toques, sem avanços. Apenas um beijo.

 

Ela se moveu, aproximando-se mais, colocando-se na ponta dos pés para diminuir a diferença de altura e de distancia entre os corpos. Ele abraçou sua cintura e correu a boca por seu pescoço, alcançando seu ouvido e falou baixo, como se lesse seus pensamentos:

- Sim... Eu vou violar você. Vou saquear seu corpo e seus pensamentos. Vou tomar tudo o que estiver disponível, eu só preciso que me diga que quer. - Ela sentiu o corpo tremer, como normalmente fazia quando estava com frio. Mas não estava com frio, estava quente. Quente como se estivesse prostrada no núcleo de um incêndio. - me diga o que quer, me dê... Sua permissão.
 

Ela fechou os olhos, sentindo como era bom, o passeio daquela voz através de seu cérebro, e como o controle que ela exercia em seus sentidos a fazia sentir-se, contraditoriamente livre.

 

Ela sorriu com a sensação de ser dona de si mesma, e dona de uma situação, afinal, ele esperava sua permissão, e sim, ela daria, por que não havia mais nada, naquele momento, que ela quisesse mais.

 

- Toque-me.
 

O riso desdenhoso e cheio de arrogância dado por ele ao ouvir suas palavras de redenção não a incomodou. Pelo contrário, encheu-a de uma satisfação estranha e confusa.


 

Rony não esperou mais nada, apenas a beijou. E como todos os outros, o beijo foi diferente. Primeiro, apenas o encostar dos lábios quentes, depois um pouco mais de pressão e em seguida força suficiente para dominar os movimentos dela e fazê-la abrir a boca receptiva e ansiosa.


 

Mas ele não aprofundou o beijo como ela esperava, apenas introduziu a língua uns segundos, fazendo chocar-se com a dela e a retirou. Hermione emitiu um ruído de frustração e ele riu anasalado.


 

Então agarrou o lábio inferior dela com os dentes e o prendeu levemente saboreando-o e deslizando a língua por toda sua extensão. Indo de uma extremidade a outra, demorando-se mais nos cantos.


 

Hermione fechou mais os olhos, saboreando a sensação que a língua dele causava em cada ponto que tocava e inconscientemente prendeu as mãos em seu cabelo, arranhando-o na nuca.


 

Ele continuou a beijá-la com lentidão e paciência, sem alterar o ritmo ou a força.


 

Hermione sentia-se quase em estado de desespero, esperando ansiosa que ele a dominasse, mas ele permanecia no mesmo passo.


 

Continuou a prová-la com a língua enquanto os dentes faziam seus lábios cativos e ela sentiu os ossos amolecerem como se fossem de cera e estivessem derretendo com o calor.


 

Ela tentou, a sua maneira, provocá-lo, intensificar o beijo, estabelecer o controle, mas Rony não permitiu. Continuou mantendo aquela dança erótica e sensual da união de suas bocas em seu próprio passo.


 

Quando a sentiu ceder e acompanhá-lo, Rony retirou as mãos que circulavam o rosto delicado e fechou os braços ao redor de sua cintura, apertando-a contra si, fazendo os corpos roçarem um no outro.


 

Hermione não conseguiu conter um gemido rouco quando sentiu a ereção pressionada contra seu ventre. Não pode conter os pensamentos, quando eles vagaram para uma comparação.


 

Lembrou-se da primeira vez que havia visto um homem naquele estado de excitação. O homem que acabara de se tornar seu marido. Ela sentiu medo, vergonha e asco. Tentou convencer-se de que era sua primeira vez e aqueles sentimentos eram normais. Tinha certeza de amar o marido e achava que o desejo viria com o tempo. Mas não veio.


 

Esforçava-se para parecer interessada e excitada, e ficava grata pelo marido demonstrar tanto desejo por ela, mas nunca conseguiu retribuí-lo de verdade. Nunca sentira-se quente e ansiosa como se sentia nos braços daquele homem, o qual, mal sabia o nome.


 

Não estava com medo ou sentia asco. Estava excitada, tanto que salivava com a perspectiva do mínimo toque dele.


 

Foi impossível não compará-los, quando Rony lhe fazia sentir tão viva e tão mulher. E o homem com quem casara a fazia sentir tão...


 

Ela sequer lembrava como se sentira nos braços dele.


 

As mãos de Rony desceram e subiram em suas costas, acariciando o tecido e ela estremeceu.


 

Ele beijou-a de novo lentamente. Tão lento que excitava e irritava.


 

- Quer me enlouquecer? – ela chiou entre os lábios dele.


 

Ele sorriu baixo.


 

- Nem comecei.


 

Ela prendeu mais os cabelos dele e tentou mais uma vez aprofundar o beijo.


 

- A pressa...é inimiga da perfeição.


 

Ele parou de beijá-la e a encarou.


 

- O quanto você se considera resistente?


 

Ela estreitou os olhos numa pergunta muda. E ele sorriu com o brilho de um predador nos olhos.


 

- Eu pretendo... – ele se afastou dela calmamente, sem quebrar o contato visual. – levá-la ao limite, e preciso saber o quanto você é resistente?


 

Ela engoliu em seco e praguejou em silencio pela força com que aquelas palavras expandiram-se em seu corpo e lambeu os lábios.


 

- Sou resistente.


 

Ele se afastou rindo, contornou seu corpo enquanto tirava da carteira um elástico. Ficou prostrado em suas costas e com o objeto já nas mãos, ele envolveu os cabelos dela, formando um rabo de cavalo e o prendeu.


 

- Tem certeza?


 

Ela tremeu com a voz rouca em seu ouvido, mas decidiu não voltar atrás.


 

O toque da mão áspera em seu pescoço, a fez suspirar antes de responder.


 

- Tenho.


 

Ele terminou o nó folgado em seus cabelos. Envolveu a cintura com as mãos, subindo lentamente para acariciar os seios sobre o tecido.


 

- Otimo, é melhor que tenha, por que vai jogar sob minhas regras e quando eu começar, não vou mais parar.


 


As palavras não eram mais necessárias. Então Rony decidiu optar apenas pela ação. 


 

Hermione inclinou a cabeça para trás, recostando-a em seu ombro, abandonando-se ao toque das mãos grandes em seus seios. O contato ainda um tanto superficial pela barreira do tecido, não mascarava o prazer que lhe causava o toque.


 

Rony continuou, por algum tempo, apenas massageando lentamente aquela zona erógena poderosa, enquanto respirava em seu ouvido, sem tocá-lo com a boca.


 

Hermione sentia aquela respiração pesada, e quente em seu ouvido, e desejava que ele beijasse seu pescoço. Admirou-se com o fato de desejar tanto o toque de uma boca em seu pescoço.


 

Rony desceu as mãos e percorreu seu corpo sob o tecido, depois encaminhou-as para os pedaços de pele nua exposta.


 

Ele tocou vagarosamente, cada pedaço de pele que o vestido não cobria, com calma. Estava deliciado em tocá-la, em seu intimo, questionava-se se já havia se sentido tão atraído por uma mulher, ao ponto de desejar tanto prová-la ao máximo.


 

Sabia desde o baile, que ela não era uma mulher comum, e embora estivesse ferido pela vida, decidido a mudar radicalmente seu estilo de vida. Decidido a passar do filho conformado em ser apenas mais um dos irmãos, para aquele que faria a diferença aos olhos de seus pais, para o bem ou para o mal. Decidido a passar de um homem crente de seu destino e paciente com o tempo, para aquele que busca mais da vida e vive como se fosse morrer no dia seguinte. Ele sabia que não jogaria com aquela mulher sob as regras confusas de suas dores.


 

Ele precisava mudar. Precisava mudar para esquecer todos os infortúnios que passara desde que conseguia entender e sofrer as amarguras da vida.


 

Prometera a si mesmo que depois de Lavender, não haveria outra. Nenhuma outra que fizesse com ele o que ela fez. As outras seriam apenas lacunas pequenas em sua vida. Fontes de diversão, prazer momentâneo, apenas um peão no jogo da sua vida.


 

Mas Rony estava tropeçando na primeira jogada. Por que depois de todas as convicções que havia se forçado a aceitar e se forçado a acreditar, ele errou na primeira escolha.


 

Quando viu Hermione Granger sozinha naquele baile, ele soube, naquele mesmo instante, que não conseguiria fazer dela um peão para o sacrifício.


 

Havia algo nos olhos dela, algo de sofrimento que o fez recuar em seu intento de apenas satisfazer-se. Era como se a respeitasse pela semelhança daquele sentimento. Era como se quisesse em seu intimo, confortá-la.


 

Naquele momento, ela estava entregue as suas caricias, sem nenhuma reserva. Completa.


 

E aquilo era algo tão excitante, tão naturalmente novo que o fazia sentir estranhamente um garoto. Um garoto tão ávido por descobrir, quanto por ensinar. Tão disposto a receber quanto a dar. E ele queria, queria muito, mesmo que por um momento breve, lhe dar algo bom o suficiente para virar uma doce lembrança.


 

As peças de roupa abandonaram  corpo dela lentamente, com toques suaves e firmes, Rony não a deixou pensar, ela só conseguia desejar que ele chegasse logo ao destino final. Que era sua completa nudez. E queria que ele lhe acompanhasse.


 

Sua cabeça imaginava cada pedaço do corpo do homem que emanava paixão e que lhe tocava com uma paciência de herói.


 

Mas ela se deixou levar, no momento dele, no tempo que suas mãos ditavam. Devagar. Muito devagar.


 

Os dedos dele estavam levemente gelados nas pontas, coincidindo com o clima de Veneza, frio, apropriado para amantes.


 

Ela estava fervendo como se tivesse a capacidade de entrar em ebulição, e aquele contraste de temperaturas quando se chocavam, causavam uma avalanche de tremores e choques naturais que percorriam todo o corpo dela.


 

Foi assim, com contrastes suaves, e olhos fechados para apurarem os sentidos, que ela sentiu o zíper do vestido de gala descer. O botão que prendia sua alça única no pescoço, ser solto. A peça de seda deslizar pelo seu corpo, tornando tudo insuportavelmente sensual.


 

Quando o vestido abandonou ser torço, e o vento que teimava em entrar, ainda que fraco, pelas frestas mínimas das janelas, açoitou sua pele quente, ela sentiu algo próximo a uma pequena convulsão.


 

Suas pernas bambearam e ele a aparou contra seu peito forte.


 

- Quer desistir? – ele sussurrou calmamente em seu ouvido. – posso facilitar as coisas para você. Eu não creio que fique...tão interessante quanto pretendo...Mas podemos parar se quiser.


 

- Não.


 

Ela respondeu rápido.


 

Parar? Parar quando, mesmo sendo uma pequena tortura, era a melhor coisa que ela já havia sentido na vida? Não mesmo.


 

Ela girou em torno de seu corpo e ficou de frente para ela, afastando-se um pouco para aumentar seu campo de visão. Olhou-a de cima  abaixo, devagar, igual a tudo o que tinha feito, analisando cada parte dela. E Hermione de repente sentiu-se como se já estivesse totalmente nua, ou no mínimo como se ele pudesse ver através da delicada lingerie que ainda cobria seu corpo.


 

- Uau – ele disse arrastado com um sorriso no rosto. Agora, não mais um sorriso abusado, arrogante, e sim bobo. Um sorriso surpreso, impressionado. – Você... é... linda.


 

Ela corou muito forte.


 

Não só pelo elogio, mas pela intensidade do olhar que ele lhe lançava e pela intensidade com as quais as palavras saiam de sua boca.


 

Ele se aproximou, sem quebrar a linha de visão. Seu olhar queimava a pele dela, como se lhe ateasse brasas.


 

- Não se envergonhe...Eu sei ...Talvez

você não esteja acostumada... Mas é impossível olhar e não...elogiar, você é perfeita.
 

Ele se aproximou com passos firmes e envolveu seu rosto com as mãos. Beijou uma face. De um jeito suave e demorado e repetiu o mesmo movimento na outra face. Depois beijou um de seus olhos, o outro, seu queixo, os cantos de sua boca e seus  lábios, sem aprofundar o toque.


 

 - Você está muito vestido.


 

Ela disse, tentando achar uma base solida para sua voz.


 

- Eu sei... Mas preciso continuar assim...por enquanto.


 

Ele a beijou de novo, aprofundando o toque aos poucos, deixando um pouco de desespero se apossar de si.


 

- Preciso prová-la...Inteira. Preciso prová-la. Me deixe fazer isso. Me deixe...


 

A voz suspendeu, pelos beijos que cresciam. E os toques das mãos em suas costas estavam enlouquecendo-a.


 

- Prove-me...


 


Ele deslizou a boca pela curva do pescoço, tentando não apressar a si próprio. As mãos brincavam com o fecho do sutiã em suas costas, ameaçando tirá-lo, sem concluir a tarefa.


 

De repente Hermione se sentiu apertada demais nas peças minúsculas de roupa que vestia e desejou que ele realmente a despisse por completo, mas o homem parecia ler seus pensamentos ao contrário.


 

Assim que o desejo se concretizou em sua cabeça, ele desceu as mãos para a cintura, deixando a peça intima intacta.


 

Ele continuou beijando-a no pescoço, passeando a língua por toda a extensão, mudando de lado quando lhe convinha, às vezes arranhando sutilmente com os dentes.


 

 Andaram sem ela sentir, e só conseguiu perceber que havia se movido quando sentiu as costas pressionada contra a parede.


 

Agradeceu mentalmente por aquele apoio temporário, mas descobriu em poucos segundos que não seria o suficiente.


 

Justamente quando ele sem que ela esperasse, retirou seu sutiã e desceu os beijos para o seu colo.


 

Ela fechou os olhos e reprimiu a muito custo um gemido, quando ele lambeu toda a região dos seus seios, evitando o ponto mais sensível. Ainda como uma tortura, Rony desceu a língua para o seu ventre e circulou seu umbigo lentamente. Não houve qualquer pedaço de pele que não tenha recebido o carinho de sua língua.


 

Mas aquilo estava ultrapassando tudo o que Hermione achava que conseguia suportar. O corpo começava a pesar e as pernas começavam a ficar leves demais.


 

De repente Hermione sentiu frio, um frio estranho, como se uma rajada muito forte de vento gelado houvesse açoitado seu corpo seminu. Então abriu os olhos e percebeu que Rony estava distante dela. Os ataques da língua em seu corpo haviam parado, e ela simplesmente começou a tremer.


 

Aquilo era tudo muito novo, pois ela nunca havia sentido tanta fraqueza na vida. Nem tanto desejo. Naquele exato momento, ela sentia-se dependente dele, e não queria nem imaginar o que aconteceria consigo mesma se ele desistisse.


 

Jamais havia experimentado uma frustração sexual antecipada, nem tão grande, até por que jamais havia sentido tanto desejo por alguém, nem tanta necessidade de sexo.


 

Algo dentro dela, bem em seu intimo, gritava que não era só sexo, mas ela quis ignorar. Aquele calor surreal, as palpitações em inúmeros lugares diferentes, a fraqueza nas pernas, a pressão em seu ventre, o suor frio, o formigamento das mãos, os arrepios, tudo aquilo já era novo e intenso demais para organizar, não precisava se preocupar em estar desenvolvendo sentimentos sem sentido por um completo estranho.


 

Até por que se ela realmente fizesse aquilo, se ela realmente acreditasse um segundo que fosse. Acreditar ser capaz de sentir algo mais forte que aquele desejo todo por ele, tudo iria por água abaixo, ela não conseguiria levar aquilo até o fim. E pensar em parar já a deixava tensa.


 

Ele estava de costas para ela, uns metros distante, parecia estar mexendo em algo sobre uma mesa, algo que ela não conseguia identificar. Levaram alguns segundos, até que ela conseguisse organizar todas as sensações e pudesse emitir algum som.


 

- Rony...


 

Foi fraco, mas suficiente para que ele ouvisse, e virasse para ela com uma única taça de vinho nas mãos.


 

- Estou aqui.


 

Ele disse aproximando-se. Ele deveria ter algum mestrado em Ioga, ou ter sido monge, ou ser algum descendente de Gandhi, por que ela nunca viu alguém tão controlado. Até seus passos pareciam lentos e calculados.


 

- O que é isso? – ela perguntou apontando o vinho com os olhos.


 

- Um teste. – ele disse sorrindo.


 

- Teste?


 

Ele afirmou com a cabeça.


 

- Você disse que tem controle, não disse? Pois bem, vamos ver. Segure.


 

Ele estendeu a taça para ela. Hermione estava tão atordoada que levou um tempo para segurar a taça e precisou fazê-lo com as duas mãos para o liquido não cair.


 

Ele soltou a taça quando viu que estava segura entre as mãos dela de a volta em seu corpo, abraçando-a pelas costas, deixando que suas nádegas fossem pressionadas contra o evidente desejo dele.


 

- Não solte a taça. – ele disse suavemente em seu ouvido e ela estremeceu. – agora beba.


 

- O que? Não, não quero beber. – ela disse um pouco irritada.


 

- Beba para mim – mais uma vez um sussurro quente e rouco – vamos lá, garota linda dos olhos de mel, beba.


 

Ela não fazia idéia do que ele queria com aquilo, e se perguntava se ele fazia alguma idéia do que aquele jogo sensual estava causando nela. Mas não havia o que fazer, ele havia parado as caricias e seu corpo estava reclamando muito disso, se tinha que beber, então beberia, algo tão simples não iria matá-la.


 

Mas ela descobriu que não era tão simples assim, pois quando ela tocou a taça na boca e sorveu os primeiros goles do liquido doce as mãos de Rony voltaram aos seus seios, com mais intensidade e pressão.


 

Ela abriu a boca em resposta e um pouco do vinho escorreu pelos cantos.
 

 

- Ah menina malvada, não pode deixar cair. – ele disse com o tom de voz que revelava o quanto estava se divertindo com aquilo. – Vamos me mostre seu controle.

 

Ele continuou massageando seus seios e beijou a nuca com leveza. Deixando a língua se espalhar na carne. Ela ofegou mais.

 

- Beba mais.

 

- Rony...Não dá...

 

- Você consegue, vamos, beba.

 

Ela quase deixou a taça cair quando levou a boca e ele sem aviso, retirou uma das mãos dos seus seios e embrenhou nos cabelos, segurando-os com um pouco de força, manipulando a posição da cabeça dela como queria.

 

Mas ela continuou bebendo. Era torturante, porém delicioso demais para se opor. Nunca imaginara que jogos sensuais pudessem ser tão avassaladores.

 

Enquanto ela bebia com dificuldade, as mãos dele tomaram mais posse do seu corpo, exigindo, tomando, buscando, testando.

 

Pareceu uma eternidade, até que ela conseguiu sorver a ultima gota e então ele a soltou com um sorriso de triunfo.

 

- Que menina forte, resistente. Meus parabéns.


O sorriso daquele homem era tão profundo e contagiante, que foi impossível não sorrir de volta.

 

Ele tomou a taça das mãos dela e jogou sobre o tapete, sem se importar.

 

Colocou as duas mãos em seu rosto, controlando a posição do rosto dela, fazendo-a encará-lo.

 

- Você... é perfeita.


E se esperar uma resposta, ele a beijou mais uma vez.

 

Ela tentou imaginar como conseguia ainda estar de pé, por que quase não conseguia mais sentir as próprias pernas. Estavam pesadas muito pesadas. O desejo de se sentar era tão grande, que se não fossem as mãos de Rony em seu rosto. Ela já teria desabado.

 

Ele usou o próprio corpo para segurá-la, estava claro que ela desabaria a qualquer momento.

 

Ele interrompeu o beijo e a encarou por algum tempo. Vendo a respiração alterada dela, e o descompasso da sua própria. Estava tão afetado quanto ela, tão preso, tão fascinado naquilo tudo quanto ela e Deus sabia como precisava ser forte para não se descontrolar.nunca havia sentido nada igual.

 

- Respire...                                           

 

- fica difícil... com suas mãos fazendo isso...

 

Ele parou os movimentos circulares que fazia em seu pescoço e sorriram um para o outro.

 

- desculpe. Preciso que você se controle um pouco mais.

 

- Rony...pelo amor de Deus...

 

- Eu sei...Eu sei... Mas eu acho...que você não vai se arrepender. Só respira. Só respira.

 

Ele encostou a testa contra a dela e por algum tempo, tudo o que se ouvia era o som pesado da respiração de ambos.


Foi devagar que Rony recomeçou a beijá-la. No rosto, levemente nos lábios, apenas toques, pescoço, colo.

 

Hermione encostou a cabeça na parede e respirou fundo quando ele tomou novamente os seios na boca, deixando a língua brincar com os mamilos e os dentes arranharem a carne.

 

As sensações voltaram com força, talvez até mesmo o dobro de força e ela ofegou. Rony também não parecia mais estar com a mesma disposição de espera, pois logo desceu a língua para seu ventre, traçando uma linha reta desde o vale dos seios até um pouco acima da região púbica.

 

Ela sentiu os joelhos cederem quando o ar quente da boca masculina roçou sua região mais sensível e ele a amparou prendendo as mãos nas suas coxas, forçando-a contra a parede, ajudando-a a se manter de pé.

 

- Segure...

 

- Complicado... – ela disse quase sem forças.

 

- Eu sei...mas tente.

 

E parecendo mesmo querer acabar com a tortura dela, ou por que ele mesmo não suportava mais esperar, ele a penetrou com a língua.

 

- Oh meu deus...

 

Hermione tremeu como nunca antes na vida. Seu corpo sacudiu, um soluço, quase um lamento, brotou de sua garganta e um nó se formou no peito, este mesmo nós parecia estar vivo, vivo e em chamas, pois viajou desde o coração acelerado até seu ventre formando uma pressão que ela nunca antes havia sentido. Era delicioso, doloroso e amedrontador.

 

E a pressão só faia crescer enquanto ele fazia movimentos leves e circulares, acariciando o pequeno ponto sensível, pressionando-o, instigando-o.

 

Era como se realmente fosse explodir.

 

Ela agarrou nos cabelos ruivos, buscando algum tipo de proteção contra aquela sensação avassaladora que tomava conta de todo o corpo, ele continuava a açoitá-la com a língua, parecendo cada vez mais desesperado.

 

- Rony...céus...não...

 

O corpo dela se contraiu, e o pulso pareceu se espalhar pelo corpo,meio dormente, formigando e tremulo, enquanto sua boca teimava em deixar escapar frases desconexas e palavras cortadas.

 

Ela sentia a necessidade de deixar o corpo cair, o peso era demais para suportar, mas as m]aos de Rony a mantinham de pé, mantinham presa naquela doce tortura.

 

Uma tortura que a fazia desejar mais

 

- Não pára... Rony...

 

Algo começou a acontecer dentro dela, quando ele intensificou o movimento da língua em sua carne quente, algo forte, intenso, arrebatador. A pressão inicial pareceu se mover mais pra baixo, levando o inicio de uma implosão em seu interior.

 

E quando ela estava preparada para explodir ele parou.

 

Hermione sentiu como se cada parte solida do seu corpo tivesse sofrido uma fusão, simplesmente derretido.

 

Ela não conseguiu captar as ações, mas no segundo seguinte ele estava de pé, com ela mole e irritadiça nos braços.

 

- Por que...


Ela começou, mas a garganta estava tão seca que a voz foi apenas um sopro.


Ele beijou-lhe a orelha.


- Não ainda.


Disse antes de carregá-la para a cama.


Ela só não reclamou por que não conseguia falar. O corpo tremia e a língua formigava, além da saliva que se acumulava rápido demais. Era como uma criança que via seu doce favorito, ou como se houvesse passado um dia inteiro sem comer e sentisse o cheiro de uma comida deliciosa.

 

A ânsia era forte demais para ela compreender, tudo novo demais e rápido demais para se acostumar.


Então o despreparo só tornava tudo mais forte, mais

 

 

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