Cap 3 - Longbottom Creevey e Corner Associados

- Bom dia.

Uma jovem ruiva que estivera alguns minutos, parada do outro lado da rua, olhando atentamente um pedaço de papel, agora havia entrado no prédio, como se houvesse achado o lugar que procurava.

- Bom dia, em que posso lhe ser útil?

A mulher sentada do outro lado do balcão sorriu educadamente enquanto lhe dava atenção.

- Estou procurando o senhor Corner, por favor.

- Tem hora marcada senhorita?

Gina remexeu nos fios soltos do cabelo com impaciência. Estava procurando a Longbottom, Creevey e Corner Associados há mais de duas horas, desde que havia deixado o aeroporto de Healthrow e ido direto falar com Michael Corner. Sequer havia ligado para seu irmão.

- Na verdade não, mas você podia me anunciar por favor, eu acabei de chegar de Waterford e...

- Infelizmente eu não posso anunciar sem hora marcada minha jovem.

Gina fez careta e suspirou alto de cansaço, colocando a bolsa de viagem no chão.

- Mas... ele deve estar me esperando, vim da Irlanda a convite dele e...

- Sinto muito senhorita, eu adoraria ajudar, mas não posso realmente passar nenhuma chamada ao senhor Samuel Corner sem que esteja agendada.

Ela esfregou o rosto e demorou alguns segundos até entender que estavam falando de Corners diferentes.

- Ah não, não. Não estou procurando o senhor Samuel, procuro Michael, o filho dele. Vim da Irlanda para vê-lo, pode por favor, apenas dizer que eu estou aqui. Se ele não puder me atender, eu vou embora.
 

 

 

A mulher encarou-a por algum tempo, como se estivesse considerando o pedido e em seguida pegou o telefone.

- Senhor Corner, há uma jovem aqui que deseja ser anunciada, a senhorita... – ela olhou para Gina.

- Gina Weasley. – ela disse rapidamente.

- A senhorita Gina Weasley deseja saber se pode ser atendida.

A mulher passou mais alguns segundos calada, antes de recolocar o telefone no gancho e sorrir para Gina.

- Ele esta lhe esperando. Sexto andar, sala 12.

Gina sorriu e pegou a mala que tinha deixado arriar no chão.

- Obrigada.

- Por nada.

Gina caminhou apressadamente em direção ao elevador que já estava se abrindo. Deu graças a Deus por subir sozinha. Estava cansada e desejava encostar-se a algum lugar. As últimas horas haviam sido uma verdadeira maratona.

Chegou ao sexto andar e não teve dificuldades em achar a sala de Michael, o prédio era bem organizado e bem dividido, as sinalizações eram muito claras.

A porta estava aberta e ela sorriu ao vê-lo debruçado sobre uns papeis. Ali estava Mike, seu amigo, ex namorado, e eventual caso. Ela realmente gostava dele.

- Não me parece um advogado vestido assim.

Ele olhou para cima e sorriu.

- Gin...

Ela entrou e soltou as malas no chão enquanto ele levantava para recebê-la num abraço e um beijo leve nos lábios.

- Você também não me parece uma advogada muito séria neste minuto. Como foi a viagem?

- Cansativa e estressante. Acabei de chegar Mike, dá um desconto.

- Você fica linda de qualquer jeito. – ele beijou-lhe a testa – Mas não precisava vir correndo, podia ter deixado pra amanha.

- Você é louco? Preciso resolver mil coisas. Não pretendo mesmo ficar morando com meu irmão, Mike, eu amo o Rony, mas ele surta.

Michael riu.

- Não é culpa dele que você tenha sido tão popular na escola.

Gina sentou, praticamente jogando-se na poltrona à frente da mesa e Michael voltou para a própria.

- Onde está Neville? E Colin?

- Colin só chegará depois do almoço e Neville ainda está em Birmingham, só volta na semana que vem. Você avisou que vinha?

- Só ao Coll, não consegui falar com o Nev.

Ele piscou.

- Então...Já está tudo certo sobre a Shacklebolt building, por enquanto, é com esta conta que você ficará, mas também estagiará em casos criminais, Você tem certeza que não ficará muito cansativo Gina?

- Não importa que seja cansativo Mike, é o que eu quero, é o que eu sempre quis. Você sabe.

- Sim, seu sei. Fiquei muito feliz quando meu pai selecionou seu currículo. Eu poderia ter feito isso há mais tempo, mas você não deixou...

Gina inclinou-se colocando os cotovelos na mesa e inclinando um sorriso sedutor.
- Não quero oportunidades de conveniência Mike, quero crescer por méritos próprios, isto...é outra coisa que você já sabe.

Ele se inclinou para que seus rostos ficassem no mesmo nível.

- Sim, eu sei.

- Então, quando vou começar? Preciso de um tempo para me instalar.

Ele arrastou as mãos na mesa e segurou as dela do outro lado.

- Não quer mesmo ficar no meu apartamento?

Ela riu mais alto.

- Não mesmo Mike. Não mesmo.

- Certo, senhorita independência. Quando vamos nos ver Gin? Estou com saudades.
Ela levantou e circundou a mesa chegando perto dele, curvando-se para deixar os rostos próximos.

- Me dê um tempo Michael, acabei de chegar. – ela depositou um leve beijo nos lábios dele e se levantou – Também estou com saudade.

Ela caminhou em direção a porta, e pegou a bolsa no meio do caminho.

- Uma semana está bom pra você? – Michael falou antes que ela saísse e a fez virar.

- uma semana está perfeito. – ela piscou – Até logo Mike.

- Gina! – ele chamou e ela virou de novo – Quanto mede o maior caracol do mundo?


Ela franziu o cenho e ele riu.
 
 
- Ainda com esta brincadeira boba, Michael Corner?

Ele cruzou as mãos atrás da cabeça e suspendeu os pés na mesa.

- Você não sabe não é? Sabia que ia te pegar nessa.


Ela balançou a cabeça sorrindo.

- Ele mede 39,3 centímetros Mike, e...Pesa 900 gramas.

Ele bateu na mesa.

- Droga!

- Vai ter que se esforçar mais garotão. – ela fez menção de sair, mas se deteve uma vez mais – Ah! E eu tomaria cuidado com os pés...O caso Potter, merece mais respeito.

Ele tirou rapidamente os pés da mesa, percebendo que estava amassando o processo contra as industrias Potter.

- Como você sabia?

Ela riu e começou a se afastar.

- Gina, não é possível, não deu pra ler de onde você estava. Como você sabe?

Mas tudo o que ele ouviu em resposta, foi a gargalhada dela se afastando, o que o fez sorrir, antes de voltar a se concentrar no trabalho.


...

Rony bateu com as mãos no apoio do sofá e jogou o joystick de lado resmungando.

- Porra! Isso é hora?

Na tela, a mensagem de “You Lose” piscava insistentemente.

Ele levantou bruscamente e caminhou até a porta a passos duros, precisou se controlar ao máximo para não ser grosseiro com quem estava atrás dela, afinal ninguém poderia adivinhar que ele ainda jogava Street Fighter 4 naquela idade, muito menos que estava no estagio final do jogo.

Mas quando a porta revelou quem estava fora, a raiva passou. Ele abriu os braços e um sorriso gigante.

- Gininha!

- Começou foi? - Ela lhe deu um soco no ombro – Mal cheguei espantalho – Depois se jogou nos braços dele para um abraço apertado.

- Senti saudade, cenoura.

Ele a largou e pegou a mala que estava ao lado dela.

- O que você esta fazendo aqui hoje? Por que não me avisou que vinha? Eu podia ter ido te buscar Gina. Não era pra você vir duas semanas mais tarde?

- Ei Ron, uma pergunta de cada vez ok? E a ordem não é essa,a ordem é...primeiro eu entro, depois eu estico as pernas, depois você me dá uma bebida e depois eu respondo as perguntas.

Rony abriu o espaço e a deixou passar.
- Sim, não é o máximo? É um caso muito importante, mas ainda não tive acesso as informações.

- Poxa Gina, isso é fantástico!

Ela piscou para o irmão.

- Você estava jogando?

Rony fez uma careta.

- É um método muito eficiente para tirar o estresse. Qual o problema.

Gina riu pelo nariz.

- Problema nenhum. Quero jogar com você, tem Guitar Hero?

Rony gargalhou.

- É tenho, mas não acho que você deva jogar contra mim.

Ela levantou.

- Ah não? Você se acha não é Rony? Vamos fazer o seguinte, eu preciso de um banho.

Por que não faz algo para eu comer, e ai então veremos quem realmente comanda este jogo.

Ele riu de lado.

- Geléia de Framboesa? Ou frango com queijo?

Ela piscou.

- Geléia.

- Vou preparar o seu sanduiche. Venha logo para ser massacrada.

- Como nos velhos tempo cenoura?

- Com a diferença de que desta vez, eu ganho – ele respondeu.

- Veremos.

Rony seguiu para a cozinha, enquanto Gina rumara para o seu quarto. Nenhum dos dois ouviu a porta da frente bater.

- Weasley! To dentro!

- Vou preparar o seu sanduiche. Venha logo para ser massacrada.

- Como nos velhos tempo cenoura?

- Com a diferença de que desta vez, eu ganho – ele respondeu.

- Veremos.

Rony seguiu para a cozinha, enquanto Gina rumara para o seu quarto. Nenhum dos dois ouviu a porta da frente bater.

- Weasley! To dentro!

Ele inseriu o DVD de God Of War III no console e começou a jogar. Segundos depois ouviu passos que lhe chamaram atenção. Dentre as muitas peculiaridades de Harry uma delas era percepção de sons e movimentos aguçada. Ele notou que não era Rony.

Olhou de lado e viu uma ruiva esguia de cabelos molhados, vestido apenas uma camisa social branca, masculina.

A visão era, tentadora, e única. Tanto que ele não resistiu.

- Wow! Muito prazer Jessica Rabbit.
Gina vinha distraída, remexendo a bolsa, procurando as pastilhas que havia deixado lá, tão distraída, que sentiu o coração praticamente saltar com o susto e como num reflexo cultivado de pesadelos anteriores, ela puxou a arma na bolsa e apontou pra ele.

- Não...se mova. – ela disse devagar, sem desprender os olhos dele.
 
 
- Que é isso?

- Devagar espertinho. Um movimento mais brusco e eu acerto uma bala bem no meio da sua testa.

Harry ergueu levemente as mãos.

- Quem é você? – ele perguntou.

- A pergunta certa é quem...é você?

- Wow, não precisa ficar agressiva, ruiva! - Harry inclinou a cabeça para analisá-la melhor - Embora eu deva admitir que gosto disso.

- Quem é você?!

- Porque não abaixa a arma...

- EU PERGUNTEI QUEM É VOCÊ!?
- Ah, qual é! Você não vai mesmo atirar em mim, vai ?

Gina engatilhou a arma e Harry arregalou os olhos, surpreso

- Eu perguntei quem é você, porra!

- QUE ZONA É ESSA AQUI?

A voz de Rony, sobressaiu-se a dos dois e conseguiu calá-los.

Gina e Harry olharam para ele ao mesmo tempo, mas ela continuou segurando a arma.

- Que porra é essa Gina?

- Essa porra é uma arma. – ela respondeu de volta.

- Arma que ela está apontando pra mim no momento. – Harry disse sem ser notado pelos dois que continuaram se encarando.

- Desde quando você usa armas?

- Desde que tirei o porte. – ela revidou. A típica briga Weasley começava ali.

- Você poderia baixar isso. – Harry tentou de novo.

- Isso não é um brinquedo, Cacete!

- Oh, não me diga Sherloke!
 
- Onde você arranjou essa chave de cadeia Rony? – Harry se intrometeu de novo.

- Cala a boca Harry! – ele disse ríspido e depois virou pra ela de novo – Você pode se machucar Ginevra!

- Não antes de machucar ele.

- Ginevra? – Harry perguntou com graça.

- Cala boca Harry! – quem disse agora foi Gina.

- Larga isso agora Gina, você ficou maluca?

- Não largo não. Não antes de ele me dizer quem é.

- Você arranjou uma namorada chamada Ginevra? – Harry disse rindo.

- Porra! CALA BOCA HARRY! – eles disseram em uníssono.

Harry ergueu os braços em redenção.

- Ela é minha irmã. – Rony disse em seguida.

- Pois é, a sua irmã...sua irmã? – Harry disse confuso.

- É por que?

- Bom, por que minha irmã, não sairia vestida na sala desse jeito.
Ele apontou pra ela de cima abaixo.

- Você não tem... – de repente Rony se deu conta que a irmã vestia apenas sua camisa. – Porra Gina!

Gina espalmou a mão aberta na cara dele.

- Nem comece Ronald Billius, senão eu atiro em você!

Harry gargalhou ainda mais alto.

E como se não tivesse acontecendo nada demais naquela sala, ele saiu desabalado para o quarto resmungando algo sobre “contar a pouca vergonha aos pais”.

- Você vai mesmo sair e deixar essa louca me apontando uma arma? – Harry disse em voz alta, mas não houve resposta, então ele respirou fundo e voltou-se para ela. – Eu acho que agora você já sabe quem eu sou não é? Baixa a arma.

- Não me dá ordens. Não sei quem é coisa nenhuma.

- seu nome é mesmo Ginevra?

- já disse pra calar a boca. – ela falou mais alto.

- não me manda calar a boca! Você nem me conhece, não importa o quão gostosa você é!

Gina abriu a boca pra falar, mas não conseguiu, então Harry se sentiu mais confiante, na mesma proporção em que se sentira fortemente atraído por ela. Por isso ele deu alguns passos.

- Não...Não avance.

- Ah vamos lá, você não vai atirar. O show acabou gatinha.

Ele apressou os passos e ela recuou um pouco.

Com o passar da adrenalina do susto, ela se deu conta, da força que aquele homem exercia no ambiente como um todo, bem como da sua semi-nudez, isso a deixou constrangida.

- Pare. – Ela apoiou o cano da arma com mais força.

- Achei que estivesse claro que conheço Rony.

- Ainda não sei quem você é.

- É preciso mais do que uma arma apontada para o meu peito - Ele deu um passo a frente, aproximando-se - Pra descobrir quem eu sou de verdade.

- Eu não estou de brincadeira...
- Atire então - Harry segurou a arma e colou o cano longo em seu peito sorrindo - Atire em mim.

Gina engoliu seco.

- Bom, já que você não vai atirar, tenho algo melhor em mente.
 
Com um movimento rápido e preciso ele a segurou nos braços e num giro a recostou na parede.

Gina arregalou os olhos com o susto do movimento e sentiu-se presa numa armadilha. Aquele homem era um completo estranho e em não mais que alguns minutos que o conhecia ela já se sentia indefesa perto dele.

Mas se havia algo que Gina Weasley não gostava, era de se sentir indefesa.

Ele riu descendo as duas mãos como se desenhasse seu corpo, de maneira abusiva.

Gina sentiu calafrios no corpo e se sentiu invadida. Eram muitas sensações diferentes para ela lhe dar. Ainda estava com a arma na mão, mas experiências anteriores haviam ensinado-a que não era sábio medir forças com um homem.

Além de tudo, mesmo que sua razão lhe condenasse a morte por isso, ele a atraia.

Harry deixou uma mão na sua cintura, fascinado com a visão daquela mulher, presa em seus braços. A outra mão adentrou a curva do seu pescoço, buscando seu cabelo, embrenhando-se nele.

Gina subiu a arma pelo peito dele, desenhando um caminho sedutor, traçando uma linha até o ombro, onde a mão deslizou por cima, para encontrar a outra ao redor do pescoço.

Ele riu. Vitorioso e faminto.

O polegar roçou a bochecha dela e ele aspirou seu perfume, aproximando o nariz da sua pele. Gina fechou os olhos e tremeu.

Ele abriu um sorriso maior, um sorriso sacana, de quem não joga pra perder.

E então ele desceu os lábios de encontro aos dela. Devagar, saboreando a vitoria, observando os traços de rendição nos olhos azuis dela. Quando os lábios roçaram os dela, ele sentiu as mãos que estavam em seu pescoço se soltarem segurando seus braços.

- Não tão rápido, garanhão.

Com um movimento preciso, Gina acertou-lhe a virilha com o joelho.

Harry ofegou, tonteou como um nocauteado no Box e caiu no chão contorcido em posição fetal.

- Mas o que... – Rony acabava de entrar na Sala quando viu Harry contorcendo-se com as mãos entre os joelhos e os olhos esmagados em linha. – Gina! O que você fez?

Gina estava com a arma numa das mãos e um sorriso debochado no rosto. Ela encarou o irmão, com o mesmo ar defensivo que sempre usava nas brigas com os irmãos quando crianças.

- Ele caiu. – disse simplesmente.

Rony estreitou os olhos.

- Toma, veste isso. Você ficou maluca?
 
Ele jogou um roupão nas mãos dela e ela jogou sobre o corpo, apanhando a bolsa que havia deixado cair no chão.

- Harry... Ei Harry... Você tá legal?

Harry revirou-se mais uma vez no chão e sibilou fracamente.

- Tão bem quanto um cara nocauteado pode estar. O que vocês deram... pra esta garota comer?

Rony olhou feio para Gina.

- Vou dormir um pouco Rony, a gente joga depois. Ela passou por Rony, passando as pernas por cima de Harry como se ele fosse qualquer coisa jogada no meio da sala e sumiu quarto adentro.

Rony se abaixou para ajudar Harry a sentar no sofá.

- O que houve aqui?

Harry resmungou algo incompreensível.
 
- O irmão da louca aqui é você, eu que devia fazer essa pergunta.

Ele massageou entre as pernas com uma careta de dor. Rony o acompanhou na careta. Imaginando-se em seu lugar.

- Olha, eu não sei o que aconteceu aqui, mas eu acho que melhor você moderar suas gracinhas com a Gina, ela não tem uma paciência muito grande. Espera um pouco, vou pegar a bolsa de gelo.
 
Ele saiu antes de ouvir a resposta de Harry e o deixou sozinho, com uma dor ainda enorme entre as pernas, mas um sorriso malicioso nos lábios.