Cap 5 - Tormento
"Diante de você... ...
Tormento... ...
- Draco Lucius Malfoy há quanto tempo!
Te observando e te julgando a cada instante...
O monstro não é o espelho...
O monstro não é o reflexo...
O monstro é você".
Não é fácil, sabe? Olhar pra todos os lados, procurando qualquer sinal de possível ameaça. Não é como nos filmes. Existe muito mais por trás dos empurrões, dos xingamentos e dessas coisas. As pessoas não sabem como é viver como se um punho fosse te atingir a qualquer momento. As pessoas não sabem como é ser humilhado. Eu odeio cada um deles. Eu não suporto estar perto deles. Sinto-me como uma panela de pressão pronta pra explodir. De que adianta resistir? Nada. Nada vai mudar. Quando se é o mais fraco, aprende-se a sobreviver. Aprendi a passar despercebido, a engolir os insultos e a não revidar as agressões. É melhor assim. Viver com medo não é nada parecido com viver. Viver com medo é tão valoroso quanto morrer de medo. Fugir da luta não é covardia se você sabe que não há como vencer. Afinal de contas, quando se passa tanto tempo escutando o quão fraco e pequeno você é, você acaba acreditando.
(Lucas Faial Soneghet)
Draco olhou a ruiva entrando na sala e sorriu.
- Ginny? É você?
A ruiva sorriu.
- Em carne, osso e cabelos flamejantes. O que esta fazendo aqui?
- Sou da turma de direito criminal e você? - Minha não – ele disse de cara feia – Era noiva da corporação Malfoy. Pansy era um pesadelo, isso sim.
O carro parou devagar. ... - Mãe... – ele desceu as escadas em passos largos e abraçou Narcisa – Não precisa brigar, não estou dizendo que você está errada estou só... olhe para mim. Estou exausto. A voz de Lucius Malfoy soou como uma sentença. Mas era sempre assim.
- Seu pai tem razão Draco. Está na hora de fazer coisas uteis a nossa família. ...
Joseph estava sentado na escada do lado de fora da escola. Já havia se tornado um habito esperar por Hermione pelo menos por meia hora depois do horário de termino das aulas. Ela estava sempre atrasada.
Ele estava alheio ao mundo, como sempre ficava quando se perdia no mundo do seu jogo favorito, Age of Mythology. Estava tão perdido no jogo que só sentiu a presença de outras pessoas quando de repente, seu brinquedo foi arrancado das suas mãos.
- E então Jimmy, o que está fazendo aqui ainda? O sinal já tocou há muito tempo. - Kurt, eu acho melhor a gente ir... Se a senhorita Jones vier... Quando Camila Fox voltou com a Coordenadora escolar em seu encalço, os garotos não estavam mais lá. - Deus do céu! Quando a tontura acalmou, não havia ninguém além de Camila na sala. Ela estava sentada ao lado da maca, lendo uma revista em quadrinhos, tranquilamente, como se fosse uma adulta. - Oi.
- Você está brincando? – ela disse surpresa.
- Não sei por que se surpreende Gina? Esqueceu que eu já tinha isto escrito na historia da minha vida? Aquela que o doutor Lucius escreveu?
- Ainda na guerra fria com o papai?
Ele coçou a cabeça e sorriu.
- Ah não. Não mesmo, eu desisti. Não se luta contra Lucius pra vencer. Melhor jogar o jogo dele.
Gina arqueou a sobrancelha.
- Se rendeu? Onde está o Draco Malfoy, rebelde com causa que eu conheci?
Draco sorriu um pouco frustrado.
- Ainda está aqui, mas resolveu dormir um pouco. Ele cansou de socar a parede sabe?
Gina riu de lado e colocou uma mão no ombro do amigo.
- Seu pai é um osso duro de roer.
- Meu pai, é a placa de metal no osso de um individuo que se quebrou e precisou colar. O cachorro que tenta roer, perde os dentes.
Eles ficaram um minuto em silencio, como se algo pesasse sobre eles, mas no segundo seguinte, começaram a rir descontroladamente.
- Você ainda tem muito talento para piadas ruins, Doninha.
- Vou morrer deste jeito. Pra onde está indo?
- Para Leicester Square.
- quer carona? É caminho para mim.
Gina sorriu.
- Quero sim, estou sem carro, o que é quase o fim do mundo.
- Vamos, eu te levo.
- preciso alugar um carro, me sinto quase invalida, sinto tanta falta do meu carrinho lindo. Wow!
Eles pararam com o grito de Gina.
- O que foi?
- Estar do lado dos ditadores nem sempre é tão ruim não é mesmo? Uma BMW 120 Cabriolet?
Draco deu um sorriso cínico.
- Alguma vantagem tinha que ter né? Você continua a mesma abusadinha, que sabe tudo sobre carros?
Ele abriu a porta e ela entrou.
- Só sobre bons carros. Obrigada Draco, você continua fofo.
Ele fez careta e rodeou o carro para entrar.
- E fora as vontades do poderoso chefão? O que anda fazendo? Como está a Pansy?
- Que Pansy?
Gina estreitou os olhos.
- Da ultima vez que eu soube, ela era sua noiva.
- Ela me odiava.
Eles riram.
- Com toda razão, eu era realmente caidinho por você.
- Todos eram Draco.
Ele bufou.
- Você continua a mesma ruiva metida de sempre. Linda como sempre também.
- E você um sedutor barato, sabe por que eu nunca te dei bola na escola Malfoy? – ele a olhou de lado com a sobrancelha arqueada – Eu sempre soube que você seria um problema. Acho que ganhei mais sendo sua amiga, não é?
- Talvez ruiva. Um dia eu ainda te conto o que perdeu. – ele piscou – Você e Corner ainda estão juntos?
- Não – ela afirmou e depois parou como se pensasse – Não... exatamente... Não somos mais namorados, mas saímos juntos de vez em quando.
Draco gargalhou.
- Corner vai morrer aos seus pés Ginevra. Graças a Deus eu passei dessa fase. Deus sabe como é complicado ser apaixonado por você.
- Ah, nem vem doninha. Você nunca foi apaixonado por ninguém. Nem por si mesmo e olhe que você se achava.
- Era mesmo. Mas houve uma época em que eu acreditei que realmente te amava... Uma época curta, claro, mas houve uma.
- Idiota.
- Uma coisa boa de se perceber é que você não perdeu seu senso de gentileza também.
- E nem você o de comedia. Eu fico aqui lindinho.
- Então seremos colegas de classe. Isso... vai ser interessante.
- Contanto que você não tente me conquistar com bombons de avelã... lembra que eu sou alérgica não lembra?
- Claro que lembro. Tinha que lembrar, depois de quase te mandar pro hospital e ter o punho do seu irmão na minha cara eu tenho que lembrar certo?
Gina gargalhou alto, chamando a atenção de algumas pessoas na rua.
- Verdade. – ela beijou o rosto de Draco – Falo sério quando digo que é bom ver que você continua divertido Draco, a maioria dos nossos amigos mudou, ficaram sérios e responsáveis demais. Um bando de chatos.
- Eu nunca vou ficar chato então... Por que nunca vou ser responsável.
Ela pulou a porta do carro saindo sem precisar abrir.
- Tem que me levar pra umas voltas... Ah e Draco... Se for me galantear que seja com chocolate branco, sem nozes ok?
- Deixa comigo. Toma – ele estendeu um cartão – Me liga, to com saudade da época em que a gente ia nos karaokês, vamos combinar alguma coisa.
Gina se curvou na porta do carro.
- Uau, eu também sinto. Vamos combinar sim, aliás, te ligo mais tarde. Nev está chegando de viagem e ele também adora.
- Vou esperar você me ligar.
Draco deixou Gina numa loja de conveniências e seguiu para casa. Estava animado, apesar de tudo. O dia tinha sido proveitoso e as aulas de direito não pareciam ser tão ruins.
Fora que ter encontrado Gina, foi uma agradável surpresa.
Ele não estava cansado, embora tivesse passado a noite toda acordado em um aniversario e ter ido para a primeira aula da faculdade sem dormir, ele se sentia elétrico.
Havia se divertido muito e se inspirado, estava louco para chegar ao quarto e escrever os versos que estavam em sua cabeça desde a noite anterior.
Já havia alcançado o quinto degrau da enorme escada no centro do salão principal quando ouviu a voz de sua mãe.
- Draco! Onde você estava?
Ele parou a caminho do sexto degrau e fechou os olhos, como se aquela simples pergunta já lhe tivesse tirado todo o animo.
Virou com calma e se forçou a fazer uma expressão de alegria.
- Bom dia mãe.
- Não me venha com bom dia! – ela disse como se ralhasse com uma criança – Eu lhe fiz uma pergunta. Onde você esteve até agora?
- Eu fui a festa do Zabini ontem a noite mamãe, achei que tinha lhe comunicado.
- Precisava passar a noite toda lá?
Draco respirou fundo.
- Era uma festa de aniversário de um homem de 30 anos mãe, e não de uma criancinha de 8, as festas duram a noite toda.
- E o seu celular? Eu tentei ligar para o seu celular a noite toda!
- Eu fiquei sem bateria. Mãe por favor, eu fui da festa direto para a faculdade, estou cansado, podemos ter esta conversa depois?
- depois de eu passar uma noite inteira em claro por sua causa, imaginando as coisas horríveis que poderiam ter te acontecido você me vem com “conversar amanha”?
Draco rolou os olhos.
- Não seja dramática mãe.
- Dramática? Como ousa me chamar de dramática Draco Lucius Malfoy? Eu sou cuidadosa, eu amo você e por isso eu cuido...
Você está certa, eu errei e prometo não ficar mais com a bateria do celular descarregada.
Me deixa dormir um pouco e depois conversamos?
Narcisa apertou os olhos e em seguida emitiu um sorriso fraco.
- Tudo bem, mas vamos ter uma conversa sobre isso.
- Certo mãe, perfeito, conversaremos ok? – ele se afastou de novo rapidamente em direção as escadas, louco para chegar ao quarto – amo você.
Subiu dois degraus em um passo longo,mas teve que parar.
- Draco. Quero falar com você.
Ele virou calmamente e desceu os dois degraus que havia subido.
- Bom dia pai.
Lucius apenas balançou a cabeça em concordância.
- Não faça planos para hoje à noite. Nenhum. Vamos receber Crabbe e Goyle para tratar de negócios, você deve estar presente.
- Hoje? Mas hoje eu tenho uma...
- Não Draco, você não tem nada marcado para hoje à noite, nada que não seja nosso jantar de negócios. Não me ouviu falar?
- Pai... Vai os calouros da faculdade vão...
- Os calouros da faculdade podem esperar. – Lucius o cortou novamente – O nosso jantar não. Isso é mais importante.
Draco passou a mão no rosto impaciente e mexeu nos cabelos de maneira nervosa.
- Pai...
Lucius o interrompeu aproximando-se dele e segurando-o no ombro. O que devia ser um gesto amigável, para Draco mais parecia uma punição.
- Estamos falando do novo empreendimento. De um negocio de milhões Draco, estamos falando do empreendimento que irá finalmente acabar com a Potter Enterprises e eu quero você presente. Já chega de musicas sem serventia, está na hora de você se interessar pelo nosso império.
Draco não respondeu. Apenas respirou fundo e olhou o pai de lado.
- É isso mesmo Draco. Chega de ser um peso morto para mim e minha conta bancária, eu não criei um filho para ser artista, eu criei um governante, um líder para meu império. O jantar será as oito, não se atrase.
Ele não esperou resposta, por que aquilo não era uma pergunta, ele apenas soltou Draco e saiu, sendo acompanhado de Narcisa.
Não era tão difícil esperar desde que tinha ganhado aquele PSP, as horas passavam muito rápido para ele desde então.
Depois de tantas promessas sobre não se desconcentrar das aulas e nem receber reclamações da escola por uso do aparelho em hora indevida, ele conseguiu a permissão de Hermione para levar o videogame com ele.
- E ai paspalho.
Quando levantou os olhos, viu um grupo de garotos grandes cercando-o. o maior que havia puxado seu vídeo game, agora apertava as teclas com brutalidade.
- Olha só essa merda aqui. Joguinho de boiola.
- Quem é esse idiota?
Perguntou o outro que estava atras de Joseph.
O garoto magricela para quem abriram caminho e que parecia o lider se aproximou e com um movimento fez com que eles levantassem o menino, depois segurou-o pelo queixo com violencia encostando-o numa pilastra.
- É o Jimmy Neutron.
Todos começaram a rir.

- Meu nome... É Joseph.
O magricela riu e olhou para os outros companheiros como se achasse Joey um macaco num picadeiro de circo, mas quando voltou os olhos para Joey, não estava mais sorrindo, ele apertou mais a mão na garganta do garoto.
- Não perguntei seu nome, chamo você como eu bem quiser. Eu perguntei o que está fazendo aqui.
Joseph sentiu a garganta apertar e a respiração ficou pesada.
- Responde seu idiota!
Ele abriu a boca e tentou falar mais não conseguiu. Estava quase engasgando.
- Eu acho que ele está tendo um ataque Kurt. Falou o maior, um pouco assustado.
- Tá nada. Esse covarde...
- Solta o garoto Kurt!
Todas as atenções se voltaram para uma pequena garotinha ruiva que acabara de sair.
- Ora, ora. A pequena intrometida. O que você quer Folk?
- É Fox seu otário.
- Você é muito abusadinha sua pirralha.
- Até parece que você é muito maior, seu bundão. Vem aqui ver como é bom se meter comigo?
O grupo de garotos que ainda cercavam o Joey começou a rir.
- Ela se acha a Mônica, Kurt.
- Ela precisa de um corretivo bom, isso sim.
- Ou você solta o menino ou eu vou chamar a senhorita Jones.
- Você ja devia ter entendido que quem manda nessa escola sou eu Folk.
- Quero ver você dizer isso a coordenadora seu covarde.
Ela não deu tempo de ele responder. Correu em direção a entrada e sumiu dentro da escola.
- Não seja covarde, Carl!
- Eu...eu acho que o Carl tem razão Kurt, nós podemos nos encrencar.
- Vocês são todos medrosos! – Kurt gritou fazendo os outros se encolherem – Nós já vamos! Seus idiotas. Mas eu não vou deixar o Jimmy Neutron sem uma... Lembrancinha...
- Me...deixa...ir...
Joseph disse com dificuldade.
Kurt sorriu. Um sorriso maligno, um sorriso que Joey já havia visto antes.
Ele tinha o mesmo sorriso de Krum.
- Vou deixar você ir... Do meu jeito.
...
Nem Joseph.
O PSP estava caído no chão, perto de um canteiro e parecia danificado, a mochila do menino estava jogada e o material escolar espalhado, mas não havia sinal dele.
- Ele estava aqui senhorita Jones, eu juro que estava!
A voz de Camila soava intrigada e preocupada.
- Não estou vendo ninguém Camila.
A mulher parecia irritada.
- Mas olha, as coisas dele estão aqui!
- Aqui...
Ouviu-se uma voz fraca. Elas olharam para os lados mas não conseguiram identificar a direção de onde vinha a voz.
- To...Aqui...
Quando conseguiram encontrar Joey, a coordenadora tomou um susto tão grande que soltou um grito fino.
O menino estava preso na parede do canteiro escolar. Estava suspenso na parede com a camisa presa a pregos. A gola o estava sufocando.
Ele estava trêmulo e muito pálido.

Elas correram para tirar o menino daquela situação. Quando ele caiu no chão, começou a tossir desesperadamente até ficar vermelho.
- Joseph! Joseph!
A mulher gritava sem dizer uma frase coerente.
Camila olhou de lado, como se estivesse entediada e rodeou o garoto, puxando as alças da bolsa e depois tirou a camisa dele.
- Eu acho que assim é melhor que só gritar o nome dele senhorita Jones.
Alguns minutos se passaram e ele não parecia conseguir estabilizar a respiração. Foi levado ás pressas para a enfermaria da escola onde recebeu uma dose forte de nebulização e remédios tranqüilizantes.

Ela baixou a revista e o encarou de olhos apertados por alguns segundos, depois sorriu.
- Você tá bem?
Ele afirmou com a cabeça.
- Graças a você eu estou. Obrigado.
Ela deu de ombros e um esboçou um sorriso apertado.
- Kurt é um idiota.
- Ele podia ter machucado você.
Ele disse preocupado, mas ela sorriu.
- Ah mim? Não mesmo? Só em sonho aquele covarde conseguiria me machucar. Eu sou mais forte que ele... e mais esperta. Ele não tem cérebro sabe?
- Você é bem corajosa. Eu sou o Joey.
Ele estendeu a mão pequena e ela se esticou para segurar.
- Sou Camila. Muito prazer.
Ele sorriu.
- Você é a primeira pessoa que eu conheço aqui.
- Ótimo, então você conheceu a pessoa certa. Toca aqui. Você é meu parceiro agora.
- uau! – ele disse empolgado, segurando o dedo mindinho dela – Eu nunca fui um parceiro.
- Mas é agora. Fica perto de mim e você vai ficar bem.
Ele afirmou com a cabeça sorrindo.
- Joey... Sua mãe chegou - A enfermeira entrou no quarto e começou a prepara-lo para sair – A senhorita Jones está te chamando Camila.
Ela sorriu pra ele.
- Amanha eu te vejo né? Não precisa ficar com medo de vir. Você agora é meu parceiro.
Ele sorriu de volta.
- Até amanhã.
Ela acenou e saiu deixando um pequeno garotinho abobalhado para trás.
